quinta-feira, 1 de março de 2012

Plantas calmantes, história e composição química.


Esse breve ensaio reúne anotações da história de utilização e composição fitoquímica das principais plantas tidas como calmantes e sedativas da medicina tradicional chinesa e ocidental, comparado simultaneamente a conceituação de efeito calmante no sistema etnomédico chinês, que abrange a fitoterapia, acupuntura e técnicas de meditação, com as perspectivas farmacológicas e ocidentais de interpretação.

Calmante, tranqüilizante e sedativo são os principais nomes que se dão aos medicamentos capazes de reduzir a ansiedade e exercer um efeito calmante ou sonífero, contudo, do ponto de vista farmacológico algumas distinções podem ser feitas quanto à natureza desse efeito.

Inicialmente podem-se distinguir os efeitos de controle da ansiedade e suas formas de expressão autonômicas, os efeitos dito ansiolíticos, com pouca ou nenhuma ação sobre as funções motoras ou mentais, dos efeitos hipnóticos. A propriedade de induzir o sono (gr. hypnos) é característica dos medicamentos classificados como hipnóticos cuja qualidade é produzir sonolência e estimular o início e a manutenção de um estado de sono que se assemelhe o mais possível ao estado do sono natural.

Os efeitos hipnóticos envolvem uma depressão mais profunda do sistema nervoso central (SNC) do que a sedação, o que pode ser obtido com a maioria dos medicamentos sedativos, aumentando-se simplesmente a dose.

Segundo Goth esses efeitos progressivos relativos à dose podem ser indicados como uma sequência linear:

sedação ↔ hipnose ↔ anestesia ↔ coma → morte

Origens

A história desses fármacos tem duas vertentes, se considerarmos os compostos naturais, uma das primeira das substâncias conhecidas por essas propriedades foi o álcool (etanol) obtido, mesmo nas culturas mais “primitivas”, a partir da fermentação dos açucares dos frutos ou de outras partes de plantas como videira, macieira, centeio, e cana de açúcar, cujos efeitos ansiolíticos são basicamente similares ao dos compostos modernos (Graeff, 84) embora seus efeitos colaterais e capacidade de provocar dependência não o sejam. Outra planta com propriedades similares é a Papaver somniferum, mais popularmente conhecida como Papoula do Oriente, antiga conhecida da humanidade por suas propriedades, originária da Ásia Menor e cultivada na China, Irã, Índia, divulgada no ocidente através dos gregos que a chamavam de opion, diminutivo de opós (suco vegetal). Outras plantas tradicionalmente utilizadas por esses povos ainda podem ser identificadas por possuírem propriedades depressoras do SNC, como veremos aqui.

Na perspectiva do desenvolvimento de compostos sintéticos a história dos sedativos se inicia com o uso dos barbitúricos por Fisher e Von Mering em 1903 (Goth), substâncias ainda de ampla utilização como sedativos, combinado com analgésicos, reconhecidas como úteis no controle da dor e por possuírem propriedades anticonvulsivantes.

O "ácido barbitúrico" foi descoberto por Adolf Von Baeyer em 1864, atua de modo semelhante ao clordiazepoxido (Librium), descoberto por Leo Sternbach em 1955 e introduzido no mercado nos anos 60 através da Hoffmann–La Roche. Os vinte ou mais compostos benzodiazepínicos, atualmente existentes no mercado e os derivados do ácido barbitúrico atuam no Sistema Nervoso Central aumentando a ação do neurotransmissor inibitório GABA (ácido gama-aminobutírico), mas ao contrário de muitos barbitúricos as benzodiazepinas não possuem capacidade de induzir anestesia.

Uma relevante descoberta, ocorrida nesse intere, um pouco antes da síntese das benzodiazepinas ainda na década de 50, foi a descoberta das drogas denominadas tranqüilizantes (clorpromazina, reserpina e asaciclonol), capazes de acalmar sem induzir o sono ou evoluir para estados de coma feito o grupo dos sedativos hipnóticos, por isso mesmo iniciou-se uma ampla utilização na psiquiatria, para tratamento das psicoses. Experimentos indicavam sua ação sobre regiões hipotalâmicas e sobre a serotonina.

Observe-se, porém que a reserpina é um derivado (alcalóide) também obtido por extração da planta Rauwolfia serpentina utilizada na Índia como tratamento da epilepsia mordida de serpente e outras doenças introduzida ma Europa por um médico alemão no séc. XVI (Himwich, 1955).

As drogas psiquiátricas modernas já estão na terceira ou quarta geração de síntese e experimentação, a partir dessas descobertas iniciais, as categorias de classificação são mais ou menos as mesmas, sedativos, hipnóticos (sedativos- hipnóticos), tranqüilizantes ou calmantes, novas categorias, porém se desenvolveram por seus efeitos cada vez mais específicos, tipo os anti-psicóticos, estabilizadores do humor e antidepressivos

Etnociência X abordagem tradicional

O problema de identificar e aprender a lidar com as plantas tidas como calmantes, que se somam na ordem das dezenas de espécies nos livros de plantas medicinais, seria então descobrir as características específicas tal como a indústria farmacêutica o fez. Classificar plantas do tipo: Alface, Camomila; Capim santo, Casca preciosa, Erva cidreira; Kawa-kawa, Maracujá, Mulungu, Lavandula, Valeriana, etc. Verificar as que se aproximam dos sedativos hipnóticos e as que se enquadram na categoria dos tranqüilizantes. O que numa retrospectiva do que foi falado seria as que se aproximam da Papaver somniferum (morfina, heroína, codeína etc), etanol ou da Rauwolfia serpentina (reserpina).

Não há dúvidas de que o mito e as tradições quase sempre acertam. Não foi assim que se soube que a erva cidreira européia Melissa officinalis tem propriedades análogas á Lippia geminata (falsa-erva-cidreira ou melissa)? Estendendo-se mais, se observou sua semelhança ao capim-limão (Cymbopogom citratus) também chamado de erva-cidreira ou capim-cidreira. As apuradas observações organolépticas de nossos raizeiros e médicos tradicionais quase sempre não falham e apesar dos avanços da antropologia ainda engatinhamos na compreensão das analogias contidas nos mitos.

Nesse caso o caminho da farmagnosia e fitoquímica reforça essa idéia da identificação de características moleculares semelhantes. No grupo de plantas calmantes, por exemplo, encontram-se alcalóides: na Valeriana officinalis (o monoterpeno valerianina); na Passiflora edulis (β-carbolinas: harmano, harmino, harmalina e harmanol); na Rauwolfia serpentina (o indol monoterpênico reserpinina) e na Papaver somniferum (os morfinanos tipo morfina), mas isso não os coloca no mesmo grupo de ação farmacológica sobre o SNC, além de não explicar o grupo excluído. O que reforça a necessidade de articulação de pesquisas etnobotânicas e etnomédicas selecionando plantas e formas de uso ou indicações clínicas além da identificação mais precisa dos compostos moleculares como a indústria farmacêutica tem feito.

Tradição Chinesa

No processo de “importação” da acupuntura, atualmente uma técnica cosmopolita de ampla difusão, vieram novos conceitos de “sedação”, de diagnóstico da “insônia”, “ansiedade” bem como de seu tratamento com o auxílio da fitoterapia, recurso de comum utilização entre os terapeutas tradicionais chineses.

Como se sabe os pontos de acupuntura são puncionados com objetivo de estimulação, o estímulo entretanto não é indiferente ao modo como é feita essa punção e a expectativa dos efeitos nessa teoria são dois padrões de resposta diametralmente opostos resultantes do modo de estimulação: a tonificação e a sedação. (Sussmann). No momento nos interessa a comparação da “sedação” seja obtida por estimulação com agulhas em postos específicos ou por ação de psicofármacos, mais especificamente as substâncias que, segundo essa tradição, são descritas por Noleto e Ling, como sedativas, que nutrem o coração e acalmam a mente (Yang Xin An Shen Yao).

Segundo Botsaris, autor de extensa pesquisa sobre a fitoterapia chinesa e plantas brasileiras a sedação é um método que provoca a redução da atividade do Chi (Qi) e a dispersão dos acúmulos, citando-nos o Su Wen: ...”sedar é rachar o duro, dispersar o que está acumulado”. Está indicada nas síndromes de excesso e de estagnação de Chi e sangue cujos sintomas, ainda segundo esse autor, são variados, mas incluem: grande agitação ou insônia, vertigens rotatórias, convulsões, cefaléias intensas, dores, plenitude no tórax e abdômen, nódulos, massas e visceromegalias e formalmente contra indicada em síndromes de deficiências.

Observe-se a complexidade dessa distinção, pois há de se distinguir os aparentes excessos energia, agitação e ansiedade (falso yang) em síndromes de deficiência tipo xu a exemplo da insônia causada por insuficiência de yin dos rins ou xu do baço ou a palpitação e ansiedade por deficiência de Chi e sangue além do distúrbio mental devido ao medo (rim) (livro dos quatro elementos).

No citado livro Botsaris e de Noleto e Ling há referências às seguintes ervas capazes de “nutrir o coração e acalmar o espírito”:

- Ziziphus jujuba Mill var spinosa Hu (Semen Ziziphi Spinosae) Jujuba selvagem, Suan Zao Ren (contém alcalóides sanjoinine A e nuciferine)

- Thuya orientalis L. (Biota orientalis Endl. Platycladus orieantalis) – Sêmen Biotae, Bai Zi Ren, Cipreste de cemitério, Tuia, Arvore da vida. (contém alcalóides, glicosidios, flavonoides taninos e saponinas)

- Albizzia julibrissin Durazz., Albizzia kalkora (Roxb.) Prain. Córtex Albizziae. "huan hua" (contém flavonol glicosides, com demonstrada atividade sedativa e possílvemente variantes do DMT)

- Ganoderma lucidum. Ganoderma japonicum. Lingzhi ou Reishi. (contém triterpenos e polisacarídeos)

- Polygonum multiflorum Thumb. (Fallopia multiflora) Caulis Polygoni multiflorii, 何首乌; he shou wu (contém lecitinas e antraquinonas livres e conjugadas, sua raiz tuberosa também contém mais de 1,2% de uma substância conhecida como tetrahidroxiestilbeno glucosidio, (2,3,5,4′-tetrahydroxy stilbene-2-O-D-glucoside) que tem sido considerado ser seu princípio ativo)

- Polygonum tenuiflolia Willd. Radix Polygalae tenniflolia, Yuan Zhi (contém triterpenóides, saponinas, tenuifoilina, tenuigenina, prosenegenina, xantonas)

- Valeriana officinalis Rhizoma Valerianae (entre seu componentes encontram-se: ácido valérico, ácido valerênico, valerenona, valerenal, bomil isovalerianato,
canfeno, pineno, aIcalóides (chantinina, valerianina), valepotriatos (valtrato, acevaltrato, valechlorina), didrovaltratos (didrovaltrato, homodidrovaltrato, deóxidodidrovaltrato), isovaltratos, valerosidatum, valerianol, beta bisaboleno, ledol, terpinolene, â-sitosterol, taninos e resinas) Botsaris assinala também que os valepotriatos possuem atividade farmacológica semelhante aos benzodiazepínicos, inibindo impulsos eferentes para o hippocampus e que o ácido valerênico possui ação sedativa semelhante à dos barbitúricos, produzindo depressão generalizada do S.N.C., reduzindo a transmissão de estímulos de forma global, assim como diminuindo a atividade e lentificando as ondas no EEG.

- Cannabis sativa entre os chineses a Huo-ma (dà má - 大麻) é referida no “manual dos médicos de pés descalços” como laxante, ante-espasmodica (desconforto abdominal que melhora com a pressão). É descrita como uma planta neutra e tônica para funções Yin sua ação (especialmente das sementes) sob forma de chá é indicada para pacientes idosos com irritabilidade insônia, boca seca e constipação. Segundo a concepção etnomédica chinesa é capaz de “apagar o fogo”, “umedecer os intestinos”, “tornando descendente o Chi túrbido” provocando defecação e podendo simultaneamente tonificar a insuficiência. (Botsaris; Manual del medico descalzo; Noleto e Ling)

Além das plantas medicinais são referidos como substâncias tranqüilizantes (que acalma o espírito ou a mente – An Shen Yao) alguns minerais, a saber Draconis (osso fossilizado); Conchas de ostras (Ostrea gigas O. rivularis) e Madreperola (Pteria margaritifera, P. martensii); Magnetita; Cinnabaris (Sulfito de mercúrio); Hematita. (Botsaris; Noleto e Ling) Para Noleto e Ling o pó das ostras Haliotis diversificolor Revee e Ostrea gigas Thumb tem a função de “pacificar o fígado e dominar o Vento”.

No ocidente por volta de 1949 o psiquiatra australiano John Frederick Joseph Cade (1912-1980) identificou efeitos do carbonato de lítio como estabilizador de humor no tratamento do transtorno bipolar (então conhecida como psicose maníaco-depressiva).



Paralelo ocidental

Ainda está para ser realizado um quadro comparativo das diversas possibilidades de atuação da acupuntura sobre o sistema nervoso (efeito analgésico, anti-hipertensivo, anticonvulsivante, sedativo, hipnótico, antitérmico etc.) somado ou não à ação de fitoterápicos, tomando-se como base (padrão ouro) os conhecidos medicamentos de ação sobre o sistema nervoso (morfina, ácido acetilsalicílico, reserpina, fenobarbital, benzodiazepina, dipirona sódica, etc.) ou as plantas medicinais com tais efeitos.

Entre as plantas mais utilizadas e comercializadas no mundo ocidental como calmantes inclui-se:

Alface, Lactuca sativa, conhecida desde antiguidade, especialmente Egito e medicina tradicional persa (Iran). Possui 4 principais variedades cultivadas: Lactuca sativa var. capitata (alfaces-repolhudas, Batávia); Lactuca sativa var. longifolia (aface-romana); Lactuca sativa var. (afaces- crespas frisadas); Lactuca sativa var. latina (alfaces-galegas). Utilizada em medicina como extrato feito a partir de seu suco lactescente (Lactucarium) com propriedades semelhantes aos opiáceos (Lima - ITF). Contém cumarinas, flavonóides, lactonas sesquiterpênicas (lactupicrina (VIII), lactucina (IX), 8-deoxilactucina e ixerinas (ITF; Santos)

Lavanda (alfazema), Lavandula officinalis é originária da costa mediterrânea da Ásia Menor onde é utilizada na medicina tradicional, conhecida como 'osto khuddous'. Principais componentes: Princípio amargo, fitoesteróis, óleos essenciais, cumarina, acredita que seu efeito anticonvulsivo e hipnótico é causado por bloqueio dos canais de cálcio. (Arzi)

Camomila, Matricaria chamomilla - camomila verdadeira - (Matricaria recutita) distinta da Camomila-romana (Anthemis nobilis). Faz parte da flora européia, utilizada na medicicina tradicional desde a antiguidade seu nome popular vem do grego χαμαίμηλον (chamaimēlon). Contém matricina, alfa-bisabolol, apigenina, azuleno (o sesquiterpeno camazuleno), flavonóides (chrysin) – também encontrado em espécies de Passiflora (P.caerulea)

Capim limão, Cymbopogon citratus (capim cidreira, erva cidreira). Planta originária da Índia utilizada na medicina tradicional como febrífugo. (Teske Trentini) Constituintes químicos: óleo essencial contendo principalmente citral (XXXV) e geraniol (XIII) e neral; sesquiterpenos e triterpenos, como cimbopoqonol (XXXVI) e cimbopogona. Nas raízes foram encontrados alcalóides indólicos .

Casca preciosa, Aniba canelilla (H.B.K.) Mez. também conhecida como casca-do-maranhão, canela-cheirosa, folha-preciosa, amapaina, pereforá, pau-cheiroso, pau-rosa. Comum na Amazônia, utilizada na medicina tradicional da região como para diarréia tosse tida como analgésica, atiespasmódica e tônica do SN. Contém álcool sesquil terpênico, anabasina, euginol, linalol, metil-eugenol, nitrofeniletano, anibina e taninos. Sua atividade analgésica é atribuída ao 1-nitro-2-feniletano (Lima)

Erva cidreira, Melissa officinalis , erva cidreira verdadeira, toronjil (Español); balm (English) Espécie de origem européia cultivada no mediterrâneo mencionada por Dioscórides e Paracelso. Contém monoterpenos (citral); ácidos carboxílicos fenólicos (ácido rosamarínico); aldeídos monoterpênicos (geranial, citronelal, neral); flavonóides (luteolina); compostos terpenóides (ácido carnósico, ursólico, oleanólico e outros). Compõe um tradicional medicamento conhecido por Água de Melissa, utilizado como sedativo, estudos mais modernos tem revelado afinidade com receptores muscarínicos e nicotínicos e utilizada experimentalmente para doenças que alteram a função colinérgica entre as quais a D. Alzheimer. (Sena)

Erva cidreira, Lippia alba, melissa, cidreira brava, utilizada na medicina popular brasileira, como já referido, possivelmente por analogia à espécie européia. Segundo Lima (ITF) sua composição fitoquímica inclui alcalóides; flavonóides; saponinas; taninos iridóides; óleos essenciais: geraniol, butirato de geraniol, geranial, eugenol, neral, nerol, citronelol, citronelal, acetato de citronelol, B-cariofileno, óxido de cariofileno, alloaromadendreno, cis-a-bisaboleno, metil-heptenona, germacreno D, linalol, limoneno, cubenol, trans-ocimeno, t-octen-S-ol, borneol, copaeno, lipiona, dihidrocarvona, 1,8-cineol, citral, p-cimeno, metildecilcetona, mirceno, piperitona, sabineno, aterpineol, cimol, a-cubebeno, ácidos fenólicos.

Kawa-kawa, Piper methysticum Forst. arbusto natural da Malásia e nas ilhas da Polinésia, utilizado nas ilhas de Fiji, Samoa e Tonga, no tratamento de doenças e em cerimônias religiosas. Contém alfa-pironas, kavolactonas ou kavopironas: kavaína, diidrokavaína, iangonina, metisticina, diidrometisticina, 11-metoxi-iangonina, 11-metoxi-nor-iangonina, desmetoxi-iangonina, 5-hidroxi-diidroxi-kavaína. Flavonóides: flavokavanina A e B. Outros: amido (43%), glicídios (3,2%), glicosídeos, minerais (3,2%), óleos essenciais (bornil-cinamato), proteínas (3,6%), resinas.

O mecanismo de ação da Kava Kava deve-se principalmente à sua ação no sistema nervoso central, onde atua como ansiolítico, antidepressivo, regulador do sono e anticonvulsivante. Seus mecanismos de ação incluem , a modulação da atividade do sistema límbico, hipocampo e da amígdala, com a modulação dos receptores GABA-A, a inibição dos canais de sódio, a inibição da liberação de glutamato e da recaptação de dopamina e o aumento do estímulo dos receptores serotoninérgicos

Maracujá, Passiflora edulis, (P incarnata; P. alata; P, quadrangularis) granadilla (Español); passion flower (English). A família Passifloraceae inclui entre 16 – 27 gêneros, com cerca de 530 - 600 espécies espalhadas por todo o mundo. Utilizada em diversos sistemas etnomédicos da América referida por Guilherme Piso (1648) em sua expedição ao Brasil e nos codex astecas (quanenepilli). Sua composição inclui alcalóides (β-carbolinas: harmano, harmino, harmalina e harmanol), flavonóides (saponina, vitexina saponarretina, apigenina, orientina) glicosídeos cianogênicos (passiflorina, ginocardina), fenóis e frações de esteródes (sitosterol, estigmasterol) (Botsaris, Machado; Sena)

Mulungu, Erythrina crista-galli, tupi Mulungu, corticeira; flor-de-coral ; murungu; sananduva, árvore da mata atlântica que faz parte farmacopéia de uso tradicional sul americana . Contém alcalóides (eritrina, erisopina, erisodina, eritramina, eritratina, eritrocoraloidina, erisovina, erisonina); glicosídeos (migurina); esteróides, compostos antociânicos (pelargonidol, cianidol). (Teske, Trentini; Lima – ITF) Seus Alcalóides atuam sobre o SNC, causando bloqueio neuromuscular, relaxamento da musculatura lisa e ação anticonvulsivante (Lima – ITF)

Calma e tranquilidade

Voltando à concepção oriental sobre a sedação, calma e tranquilidade, temos que considerar que tal estado pode ser simplesmente obtido e/ou mantido por um processo estritamente de origem psicológica ou comportamental. Adquirido através das práticas psicoterapêuticas ou como pondera Watts, (1961) através dos estilos de vida do budismo, taoísmo, vedanta e da ioga.

Comparando a “ação” das referidas práticas orientais, esse mesmo autor observa que a principal semelhança entre esses estilos orientais de vida e a psicoterapia ocidental de uns e de outra é provocar mudanças de consciência, mudanças em nossa própria maneira de sentir a nossa própria existência, nosso relacionamento com a sociedade humana e com o mundo natural. Observa ainda que o psicoterapeuta tem-se interessado mais por mudar a consciência de pessoas perturbadas enquanto que as disciplinas do budismo e taoísmo a de pessoas normais, socialmente ajustadas. Contudo, observa também, que os psicoterapeutas tem se dado conta que a nossa cultura é um contexto gerador de doença mental, enquanto uma sociedade voltada para produção de riqueza material individualizada e destruição mútua de sociedades vizinhas, longe de ser a condição ideal de saúde social. (Watts, (1961) p. 22)

Sem ignorar os problemas das populações asiáticas é ainda Watts que nos cita como exemplo uma combinação entre os termos taoístas e budistas sobre o “te” (virtude, graça de viver) enquanto solução individual dos problemas existenciais da angustia humana. Para finalizar lhes deixo a citação de Chuang-tzu selecionada pelo referido autor (Watts, 1995) sobre a essência da libertação e resistência às adversidades e infortúnios da existência humana:

Aquele que compreende o Caminho [o Tao] sem
dúvida dominará os princípios básicos. Aquele que domina
os princípios básicos, sem dúvida saberá como lidar
com as circunstâncias. E aquele que sabe como lidar
com as circunstâncias, não permitirá que as coisas lhe
façam mal. Quando um homem possui a virtude perfeita
[te], o fogo não o queima, a água não o afoga, o frio e o
calor não o afligem, os pássaros e animais selvagens não
o ferem.


Mas prossegue afirmando:

Não estou dizendo que ele dá pouca importância a
estas coisas. Quero dizer apenas que ele distingue entre
segurança e perigo, contentando-se com a fortuna ou o
infortúnio, e é cauteloso em suas idas e vindas. Por conseguinte,
nada pode causar-lhe dano.


Chuang-tzu trad. Watson apud Watts (1995)

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Ver também

- Cinnabaris 朱砂 (Zhusha)

- Dian Kuang - 癫狂

Um comentário:

Paulo Pedro disse...

O homem tem cinco deficiências e cinco partes sólidas. Mesmo quando as deficiências não estão perto dos olhos e mesmo quando as partes sólidas e saudáveis não estão distantes, é difícil distinguir entre as manifestações aparentes do estado de saúde.

A ação da mão é de máxima importância; assim o desempenho da agulha será esplêndido e uniforme. Simples meditação silenciosa, a observação da conduta certa e a admiração de cenas agradáveis e das suas mudanças, a tudo isso se chama tatear no escuro e a confusão que dai resulta não revela a forma da doença.

Se se observa um corvo quando ele descobre um pouco de painço paniculado, a ave voa rapidamente em conformidade com a sua descoberta. A sua ação será inconsciente e desprovida da sensibilidade? Espera de emboscada como as partes horizontais de uma besta e levanta voo como que impelida pela força impulsionadora do Universo.

O imperador perguntou:

- Que se pode fazer a respeito de insuficiências e de partes sólidas e substanciais?

Ch´i Po respondeu:

- Quando se aplica a acupuntura às insuficiências está-se necessariamente a suplementa-las; e quando se picam as partes substanciais, a repleção excessiva, está-se necessariamente a drena-las. Quando o vigor das artérias chegou ao fim, há que trata-las com grande cuidado, para que não falhem por completo. Os que concentram a mente na profundidade ou na superficialidade da doença, tratam a distância e a proximidade como se fossem a mesma coisa. Os que se encontram à beira de um abismo tem a sensação de que as suas mãos estão nas garras de um tigre; nesse momento, a sua energia e a sua atenção não se devotam ao cuidado de toda a Criação.

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